Tapetes Arraiolos – Trabalho e pesquisa de Carlos Leite
Ribeiro
O tapete é um objeto
tipicamente oriental. Ainda hoje quando se fala num tapete de grande beleza e
qualidade pensamos num tapete persa. A técnica de nó demonstrando uma perícia
notável, servindo um desenho requintado, atesta uma tradição muito antiga. Com
o aparecimento do islão, a história do tapete, já associada à faustosa cultura
sassânida, vai receber uma nova consagração: o tapete será simultaneamente o
móvel por excelência da casa e da tenda, mas também um elemento de aparato
destinado aos palácios. Assim, a Europa cedo se deixa fascinar pela força
decorativa dos tapetes orientais. Uma das tradições deixadas pelos árabes aos
portugueses, foram os tapetes bordados, e, em Arraiolos ou nas suas
proximidades cria-se, desde finais do século XVI, uma indústria deste tipo de
tapetes. O ponto utilizado, ou seja o ponto cruzado, hoje conhecido como ponto
de Arraiolos, cobre integralmente o suporte que inicialmente é uma tela de
linho. Os desenhos vão ser retirados dos tapetes orientais com a introdução de
elementos locais. Na segunda metade do século XVIII é já uma indústria com
alguma importância recebendo mesmo certos privilégios reais. Com um certo
interregno no século XIX, ainda hoje se bordam tapetes com as mesmas
características continuando Arraiolos a ser um dos centros mais importantes.
Arraiolos – (Concelho do Distrito de Évora)
A sua fundação é atribuída aos Galo-Celtas (300 antes de Cristo), ou aos
Sabinos, Tusculanos e Albanos (200 antes de Cristo).D. Afonso ll fez doação da
sua herança de Arraiolos ao Cabido de Évora, mas D. Afonso lll retomou a sua
posse. D. Dinis reconstruiu a vila, edificou o castelo e outorgou-lhe foral em
1310, D. João l doou-a a D. Nuno Álvares Pereira e D. Manuel l concedeu-lhe
foral novo em 1511. A vila ocupa todo um cabeço e estende-se já pelas encostas.
Opiniões sobre a origem do nome:
«Arquivo Histórico de Portugal (1899)»: “A origem de Arraiolos, que também se
escreve Arrayolos, fundando-se na suposta fonte helénica do seu nome, está
envolta em trevas efabulas, concordando, porém, todos os autores, com quanto
sob diversa forma, em que é muito antiga, provindo-lhe a denominação dum
guerreiro grego chamado Rayeo, que a capitaneava, chamando por esse motivo
“Rayolis”, que, com o andar dos tempos se corrompeu em Arraiolos”.
«Dicionário Geográfico – Padre Luís Cardoso (1747): Trazem alguns sua origem do
tempo dos sabinos, tusculanos e albanos, senhores da cidade de Évora antes de
Sertório e que deram o governo de Arraiolos a um capitão Rayeo, nome grego por
cuja antiguidade tomou por empresa uma cabeça na forma de uma esfera, e desse
nome Rayeo se fez denominado Rayollis, corrupto hoje em Arraiolos.
Segundo Diogo Mendes de Vasconcelos foi esta vila fundação dos Galos Celtas
quando senhorearam estas comarcas, as quais lhe deram o nome de Calantia ou
Calantria”.
«Alguns Apontamentos Históricos sobre a vila Arraiolos – de Bernardino Godinho
(1933)»:” Evoquemos, como Cunha Rivara, o passado da nossa encantadora terra,
pois nos foros da sua nobre antiguidade, pode muito bem ombrear com as mais
poderosas povoações, não faltando autores que façam remontar a sua origem, ao
tempo dos celtas, ou pelo menos, ao dos mouros. Calantica – a menos de uma
légua, para noroeste, onde hoje está a aldeia de Sant’ana do Campo, prova-se
pela simples inspeção da igreja, formada nos restos de um templo romano. Que o
nome da povoação fora a de Calantica, afirma-o André de Resende, com alguns
autores; ainda que doutros variem alguns tanto a sua ortografia: Calantica,
Calantrica, Calantia, Calancia e até Callancia.
O Dr. Manuel do Vale de Moura, declarando a sua naturalidade, no livre que
publicou. De Incontationibus diz: Pátria Calantica. Etimologia.
Outros autores, embora não neguem a existência de Calantica, embora admitem a
hipótese de ela ter sido fundada por celtas ou romanos, declaram que nem lugar
nem em tempo, Arraiolos se deve confundir com Calantica.
O padre Frei Henrique de Santo António, na Crónica dos Eremitas da Serra
d’Ossa, muito sabedor de etimologias gregas, inclina-se a que o capitão Rayeo
se chamasse à povoação de Rayeopollis e daí por linha reta venha Arraiolos”.
«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “ A “terra dos tapetes”,
histórica e antiquíssima vila, sede de concelho do distrito de Évora, tem,
segundo se afirma, um nome de origem antroponímica. Um capitão grego de nome
Rayeo teria sido governador da povoação, a qual tomou esse nome alterado em
Ryolos, que depois, com o tempo, se transformou em Arrayolos e Arraiolos.
Embora reproduzida por vários autores, não satisfaz a explicação, que é, pelo
menos, muito deficiente. A primeira parte do topónimo tem todo o aspeto da
proveniência árabe; todavia, se a origem é grega, como se diz, deve talvez
tratar-se de um nome helénico arabizado. Mas, com mais probabilidades de
aceitação não será antes um nome propriamente árabe, cognato de arraia ou
arraial com um sufixo pluralizado? A hipótese? Harmoniza-se melhor com a
história local, pois o primitivo povoado correspondente à atual Arraiolos tinha
uma designação que aparece grafada com várias formas e que não se relaciona
morfologicamente com o nome atual, como deixamos registado no primeiro volume
deste trabalho, na parte referente a topónimos extintos”.
Teve 1º Foral, de D. Dinis, em 1290, e Castelo mandado edificar pelo mesmo
monarca em 1305.
Foi condado de D. Nuno Álvares Pereira - 2º conde de Arraiolos - a partir do
ano de 1387. Antes de recolher ao Convento do Carmo em Lisboa, o Condestável do
reino, permaneceu aqui longos períodos da sua vida.
Arraiolos recebe Foral novo de D. Manuel em 1511.
Com limites administrativos definidos a partir de 1736, sofreu, entretanto,
várias alterações:
- Inclusão no distrito de Évora (1835); Anexação do concelho de Vimieiro (1855);
Anexação do concelho de Mora (1895); desanexação do concelho de Mora (1898).
Após a revolução do 25 de Abril de 1974, surge o Poder Local Democrático -
foram resolvidas muitas das necessidades básicas das populações; promoveu-se o desenvolvimento
económico e social de forma integrada e harmoniosa, elevando continuamente as
condições materiais, sociais e culturais de vida, no concelho.
Situado no interior sul do país, na vasta região alentejana, Arraiolos é hoje
um concelho rural de 2ª ordem, com 684,08Km2, para uma população de 8207
habitantes (censos de 1991) distribuídos por 7 freguesias: Arraiolos, Vimieiro,
Igrejinha, S. Pedro da Gafanhoeira, Sabugueiro, S. Gregório e Santa Justa.
Arraiolos assume-se, hoje, com uma administração aberta e democrática, como um
concelho em expansão, onde as suas gentes, orgulhosas dos seus antepassados e
do seu património, perspetivam um futuro de progresso.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal
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