sábado, 24 de outubro de 2015

Tapetes de Arraiolos


Tapetes Arraiolos – Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro 

O tapete é um objeto tipicamente oriental. Ainda hoje quando se fala num tapete de grande beleza e qualidade pensamos num tapete persa. A técnica de nó demonstrando uma perícia notável, servindo um desenho requintado, atesta uma tradição muito antiga. Com o aparecimento do islão, a história do tapete, já associada à faustosa cultura sassânida, vai receber uma nova consagração: o tapete será simultaneamente o móvel por excelência da casa e da tenda, mas também um elemento de aparato destinado aos palácios. Assim, a Europa cedo se deixa fascinar pela força decorativa dos tapetes orientais. Uma das tradições deixadas pelos árabes aos portugueses, foram os tapetes bordados, e, em Arraiolos ou nas suas proximidades cria-se, desde finais do século XVI, uma indústria deste tipo de tapetes. O ponto utilizado, ou seja o ponto cruzado, hoje conhecido como ponto de Arraiolos, cobre integralmente o suporte que inicialmente é uma tela de linho. Os desenhos vão ser retirados dos tapetes orientais com a introdução de elementos locais. Na segunda metade do século XVIII é já uma indústria com alguma importância recebendo mesmo certos privilégios reais. Com um certo interregno no século XIX, ainda hoje se bordam tapetes com as mesmas características continuando Arraiolos a ser um dos centros mais importantes.
Arraiolos – (Concelho do Distrito de Évora)


A sua fundação é atribuída aos Galo-Celtas (300 antes de Cristo), ou aos Sabinos, Tusculanos e Albanos (200 antes de Cristo).D. Afonso ll fez doação da sua herança de Arraiolos ao Cabido de Évora, mas D. Afonso lll retomou a sua posse. D. Dinis reconstruiu a vila, edificou o castelo e outorgou-lhe foral em 1310, D. João l doou-a a D. Nuno Álvares Pereira e D. Manuel l concedeu-lhe foral novo em 1511. A vila ocupa todo um cabeço e estende-se já pelas encostas. 
Opiniões sobre a origem do nome:
«Arquivo Histórico de Portugal (1899)»: “A origem de Arraiolos, que também se escreve Arrayolos, fundando-se na suposta fonte helénica do seu nome, está envolta em trevas efabulas, concordando, porém, todos os autores, com quanto sob diversa forma, em que é muito antiga, provindo-lhe a denominação dum guerreiro grego chamado Rayeo, que a capitaneava, chamando por esse motivo “Rayolis”, que, com o andar dos tempos se corrompeu em Arraiolos”.
«Dicionário Geográfico – Padre Luís Cardoso (1747): Trazem alguns sua origem do tempo dos sabinos, tusculanos e albanos, senhores da cidade de Évora antes de Sertório e que deram o governo de Arraiolos a um capitão Rayeo, nome grego por cuja antiguidade tomou por empresa uma cabeça na forma de uma esfera, e desse nome Rayeo se fez denominado Rayollis, corrupto hoje em Arraiolos. 
Segundo Diogo Mendes de Vasconcelos foi esta vila fundação dos Galos Celtas quando senhorearam estas comarcas, as quais lhe deram o nome de Calantia ou Calantria”.
«Alguns Apontamentos Históricos sobre a vila Arraiolos – de Bernardino Godinho (1933)»:” Evoquemos, como Cunha Rivara, o passado da nossa encantadora terra, pois nos foros da sua nobre antiguidade, pode muito bem ombrear com as mais poderosas povoações, não faltando autores que façam remontar a sua origem, ao tempo dos celtas, ou pelo menos, ao dos mouros. Calantica – a menos de uma légua, para noroeste, onde hoje está a aldeia de Sant’ana do Campo, prova-se pela simples inspeção da igreja, formada nos restos de um templo romano. Que o nome da povoação fora a de Calantica, afirma-o André de Resende, com alguns autores; ainda que doutros variem alguns tanto a sua ortografia: Calantica, Calantrica, Calantia, Calancia e até Callancia.
O Dr. Manuel do Vale de Moura, declarando a sua naturalidade, no livre que publicou. De Incontationibus diz: Pátria Calantica. Etimologia.
Outros autores, embora não neguem a existência de Calantica, embora admitem a hipótese de ela ter sido fundada por celtas ou romanos, declaram que nem lugar nem em tempo, Arraiolos se deve confundir com Calantica.
O padre Frei Henrique de Santo António, na Crónica dos Eremitas da Serra d’Ossa, muito sabedor de etimologias gregas, inclina-se a que o capitão Rayeo se chamasse à povoação de Rayeopollis e daí por linha reta venha Arraiolos”.
«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “ A “terra dos tapetes”, histórica e antiquíssima vila, sede de concelho do distrito de Évora, tem, segundo se afirma, um nome de origem antroponímica. Um capitão grego de nome Rayeo teria sido governador da povoação, a qual tomou esse nome alterado em Ryolos, que depois, com o tempo, se transformou em Arrayolos e Arraiolos. Embora reproduzida por vários autores, não satisfaz a explicação, que é, pelo menos, muito deficiente. A primeira parte do topónimo tem todo o aspeto da proveniência árabe; todavia, se a origem é grega, como se diz, deve talvez tratar-se de um nome helénico arabizado. Mas, com mais probabilidades de aceitação não será antes um nome propriamente árabe, cognato de arraia ou arraial com um sufixo pluralizado? A hipótese? Harmoniza-se melhor com a história local, pois o primitivo povoado correspondente à atual Arraiolos tinha uma designação que aparece grafada com várias formas e que não se relaciona morfologicamente com o nome atual, como deixamos registado no primeiro volume deste trabalho, na parte referente a topónimos extintos”.  
Teve 1º Foral, de D. Dinis, em 1290, e Castelo mandado edificar pelo mesmo monarca em 1305.
Foi condado de D. Nuno Álvares Pereira - 2º conde de Arraiolos - a partir do ano de 1387. Antes de recolher ao Convento do Carmo em Lisboa, o Condestável do reino, permaneceu aqui longos períodos da sua vida.
Arraiolos recebe Foral novo de D. Manuel em 1511.
Com limites administrativos definidos a partir de 1736, sofreu, entretanto, várias alterações:
- Inclusão no distrito de Évora (1835); Anexação do concelho de Vimieiro (1855); Anexação do concelho de Mora (1895); desanexação do concelho de Mora (1898).
Após a revolução do 25 de Abril de 1974, surge o Poder Local Democrático - foram resolvidas muitas das necessidades básicas das populações; promoveu-se o desenvolvimento económico e social de forma integrada e harmoniosa, elevando continuamente as condições materiais, sociais e culturais de vida, no concelho.
Situado no interior sul do país, na vasta região alentejana, Arraiolos é hoje um concelho rural de 2ª ordem, com 684,08Km2, para uma população de 8207 habitantes (censos de 1991) distribuídos por 7 freguesias: Arraiolos, Vimieiro, Igrejinha, S. Pedro da Gafanhoeira, Sabugueiro, S. Gregório e Santa Justa.
Arraiolos assume-se, hoje, com uma administração aberta e democrática, como um concelho em expansão, onde as suas gentes, orgulhosas dos seus antepassados e do seu património, perspetivam um futuro de progresso.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal

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